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Criar conteúdo na internet não é qualquer coisa

Imagem: Joeal Van Blog

Nos últimos tempos, a plataforma Medium tem oferecido um bom espaço para aqueles que buscam emitir uma visão mais crítica sobre o comportamento e a produção de conteúdo na web. É quase uma metalinguística, a gente acaba usando a web para falar dela mesma.

E dentro da plataforma – mais opinativa e técnica – os usuários têm trazido observações importantes sobre produzir e consumir informação. Uma sacada genial nesse sentido foi a do Marcelo Ramires, com uma avaliação interessante do ‘modus operandis’ do site Catraca Livre, o tipo de iniciativa que eu gostaria de ter desenvolvido.

O mote da análise do Marcelo Ramires é a queda na qualidade do conteúdo desenvolvido pelo Catraca, percepção que pode ser comprovada através da análise do conteúdo da fanpage do site, que, diga-se de passagem, possui um engajamento significativo e, acredito eu, deve ser uma das principais fontes de cliques.

Eu nunca fui muito fã de publicações que listam coisas ou que ditam o que você deve ou não fazer, porque, de modo geral, por trás disso sempre há algum tipo de sensacionalismo ou, pior, preguiça no desenvolvimento do conteúdo. Sempre achei que, no caso excessivo de listas e rankings, estamos produzindo algo preguiçoso e desleixado. Me perdoem os que discordam.

Na verdade, minha intenção não é fazer críticas ao Catraca Livre apontando a análise do Marcelo, mas sim criticar, de forma generalizada, o fato de as pessoas pensarem que se você coloca qualquer coisa serve para alimentar um canal de comunicação (blog, site, redes sociais, fóruns, etc.), o que acaba afetando a qualidade, utilidade e diferencial da informação. E eu sou personagem disso.

E percebi que era personagem da minha própria crítica quando me dei conta de que criar conteúdo na internet requer bastante compromisso. Foi então que resolvi que só voltaria a me envolver com isso, dentro da blogosfera, quando estivesse realmente disposta. Disposta a trazer algo com mais qualidade, análises mais aguçadas e que pudessem, de fato, se tornar em algo útil para alguém.

O que a gente mais tem visto pela internet, nos milhares de blogs e sites, são publicações superficiais feitas com o único intuito de tornar os canais atualizados e gerar números. O problema é que isso faz com que a gente veja cada vez mais do mesmo em todos os lugares.

E se você acha que não é assim, tente lembrar, agora, algum blog, por exemplo, que você faz questão de visitar pela particularidade dos temas que ele aborda ou pela maneira diferenciada com que ele aborda temas já comuns. Lembrou de algum? Então! É justamente ele que ainda te prende na internet e te oferece novas perspectivas todos os dias.

Eu sempre gostei de falar sobre decoração e sobre detalhes em geral que conseguissem afetar, de modo positivo, a minha criatividade e a minha noção de lar, o que, por consequência, poderia afetar outras pessoas. O problema é que, com o passar do tempo, tudo se tornõu tão automatizado e, em busca da praticidade, passei a montar conteúdo ao contrário de criar. Sim, montar. Postagens de textos curtos, imagens destacadas, descrições do que já havia nas imagens, como se alguém não fosse capaz de vê-las, listas chatas, nenhuma novidade. Eu havia caído na estatística do ‘mais do mesmo’.

E mais do mesmo não gera interesse, engajamento, conhecimento, amigos nem parceiros. E foi por isso que precisei dar um tempo da blogosfera e em minha relação com a web. Nesse período fiz posts esporádicos, superficiais, na esperança de perceber que eu poderia retornar, mas não era esse o caminho. E a rotina corrida, as preocupações com o trabalho, casa e mudanças gerais requeriam de mim muito mais atenção que o normal. A desculpa – ou o motivo – ideal para dar um tempo.

Só que depois desse tempo todo e várias avaliações de mim mesma e do que eu pretendia com conteúdo, veio o Criativíssimo, uma invenção que supriria a mesmice do antigo blog mas que, com a tal da rotina citada acima, não recebeu tanto entusiasmo. Desde então, já são meses pagando por hospedagem, com vários deles pensando em cancelar o serviço e outros vários com a certeza de que valeria a pena mantê-lo quietinho, porém ativo, até que retomasse interesse em blogar.

Agora, parece que esse tempo acabou e, justamente no mês mais pesado de 2016, percebi que preciso ter de volta a leveza que a web me fornece, nesse relacionamento de amor e ódio. Como profissional da comunicação, o anseio pela criação de conteúdo, compartilhamento, emissão de uma opinião, entusiasmo com a opinião dos outros e toda essa cadeia saudável dos bons lugares digitais falou mais alto.

Estou de volta, em busca de menos do mesmo e mais do autêntico. Boa sorte para mim. Porque eu ainda acredito em conteúdos leves e inspiradores.

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1 Comentário

  • Responder
    Lilian
    junho 10, 2016 at 10:49 pm

    Amei teu post e os assuntos que você trata aqui no blog. É sempre bom quando encontramos fonte de conteúdo de qualidade e que nos acrescenta. 🙂

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