Estilo

Pensando a indústria da moda

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Nunca busquei me comportar como uma especialista de moda ou ter a moda como um hobby, no entanto, eu consumo moda e sou afetada por ela todos os dias, detalhe que me fornece certo direito de opinar sobre o assunto. Para começar, preciso deixar claro que nunca estive dentro dos padrões ditados pela indústria da moda e é partindo desta informação que dou prosseguimento ao meu texto.

Estive em um shopping da cidade recentemente dando uma olhada nas coleções de algumas lojas, inclusive as de fast fashion, e saí de lá assustada com as opções e com o fato de que, depois de tanto tempo, as roupas ainda são pensadas para manequins menores e sorte terá aqueles que não se encaixarem nessa característica e mesmo assim encontrar alguma peça de roupa que sirva.

Essa noção assustadora cresceu, nos últimos tempos, depois que percebi que peças específicas de roupas só são comercializadas até certo tamanho. Vejam bem, a diferenciação já começa na etapa de produção, lá atrás, antes mesmo da gente poder imaginar que aquela peça iria chegar na loja.

Posso citar um exemplo disso: croppeds. Eles viraram febre nas últimas estações e não há nenhuma regra que diga que só devam ser utilizados  por pessoas magras – nem para outras peças, considerando que cada vez mais temos buscado praticar a noção de vestir-se para sentir-se bem, independente do que for – mas a gente sabe que os croppeds são conhecidos por sua estrutura mais curta, deixando a barriga aparente, e a maioria é vendida em catálogos e campanhas ilustradas por pessoas magras, o que já cria uma barreira invisível mas bastante perceptível.

E a barreira é ainda maior quando aquelas roupas que contemplam manequins maiores são sempre as com caimento ruim, estampas esquisitas, tecidos largados e modelos mais simples. É tudo tão evidente. A moda, que deveria estar à nossa disposição para valorizar o nosso corpo, estilo e a nossa maneira de enxergar a vida, é bastante excludente. Parece que a indústria pensa assim:

Olha, isto aqui é o que a gente oferece, não importa se vai ou não lhe servir e, se servir, não estou nem um pouco interessada em trabalhar melhor sua autoestima e provar que você pode, sim, usar isso.

Será que em um momento como esse, em que se fala tanto sobre liberdade de expressão, a indústria da moda conseguirá, finalmente, ser mais democrática? E eu falo democrática em todos os sentidos: desde diversidade até poder aquisitivo. Será que a indústria vai alcançar o momento de apostar em uma moda que não possua rótulos ou diferenciações, à disposição das nossas necessidades, mesmo?

Em resumo, quando é que a diversidade será adotada como o verdadeiro padrão da moda?

Quero entrar nas lojas um dia e perceber que essas perguntas foram respondidas. Serei infinitamente contemplada, ao lado de milhões, quando sentir que o mercado fashion finalmente acordou para esses detalhes.

Crédito da imagem: Sew Me Design

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2 Comentários

  • Responder
    Wanessa
    abril 28, 2016 at 6:06 pm

    Gostei do texto e concordo com tudo!
    bjoka http://diadebrilho.com

  • Responder
    Flávia
    abril 29, 2016 at 7:58 pm

    Essa semana li uma crítica à uma coleção plus size que a Renner criou há um tempo e as peças não cabiam em meninas plus size. Olha que absurdo!
    Tudo verdade o que vc falou!
    Bjs

    http://www.digoporai.com

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