Precisamos falar sobre economia criativa Blog Criativíssimo - Decoração e Inspirações

Precisamos falar sobre economia criativa

Precisamos falar sobre economia criativa

Minha graduação me fez ter melhor noção da relevância que o conhecimento tem para movimentação de uma parcela da economia brasileira. E, meio óbvio, a internet tem um dedo de culpa nisso, já que criou novos espaços e possibilidades de trabalho, colocando boas ideias em evidência e dando mais condições para que uma habilidade possa se transformar em um serviço ou produto e, assim, ser ofertada no mercado.

E esse tipo de oferta pode ser denominada como economia criativa. Ela envolve, como bem definido pelo Sebrae, negócios ou gestão que se originam em atividades, produtos ou serviços desenvolvidos a partir do conhecimento, criatividade ou capital intelectual.

Estamos falando de um cenário potencial que, mesmo durante o período marcado pela crise econômica, tem mantido o fôlego e seguido o ritmo de crescimento acumulado nos últimos dez anos: 70%. Infelizmente, ainda não existem dados atualizados sobre a contribuição desse segmento no Produto Interno Bruto para gente conseguir entender melhor, mas em 2013 a economia criativa conseguiu movimentar R$ 126 bilhões (2,6% do PIB naquele ano).

Mas, ao pé da letra, o que reconhecemos como economia criativa? As áreas do design, música, cultura, novas formas e ferramentas de comunicação, produtos da tecnologia e inovação, além de fotografia, rádio, cinema, televisão e modelos de gestão. Se me permitem resumir, diria que estamos falando, principalmente, de criatividade.

Entendendo um pouco a economia criativa, não só do ponto de vista da oferta, mas também do consumo, dá para desenvolver quatro percepções básicas e bastante positivas sobre o segmento:

  1. Estímulo ao empreendedorismo. Vejo negócios interessantes ganhando vida dentro da economia criativa, a todo instante. E estes negócios ganham força por meio das redes sociais, plataformas de crowdfunding e do próprio boca a boca.
  2. Oferta qualificada. Tenho a impressão de que se trata de um segmento com mais preocupação em relação à qualidade do produto ou serviço, com mais atenção ao cliente e que está apto a discutir e desenvolver melhor questões como sustentabilidade, modelos de produção e valorização do recurso humano.
  3. Inspiração integrada. São negócios que não vendem simples produtos ou serviços. Embutem no que ofertam todo um imaginário de identificação e encontro cultural que geram aproximação a quem compra e reinventam a definição de consumir. Mais ainda, a economia criativa dá lugar ao compartilhamento do “modus operandi” da coisa, ensina a trabalhar, a aplicar estratégias.
  4. Adaptação. Especificamente na área de tecnologia, cria novas ferramentas úteis ao dia a dia da sociedade e de instituições específicas, definindo e se adaptando às novas necessidades sociais e formas de interação.

Nesse sentido, podemos citar o crescimento de plataformas freelance nas áreas de comunicação, design e tecnologia; o exemplo dado no post do blog Modices sobre brechós que estabeleceram seus comércios por meio de perfis no Instagram; a relevância obtida pelo Youpix na discussão dos novos cenários atrelados à web; o negócio da Rafaela Cappai na Espaçonave para impulsionar outros criativos e tantas outras evidências que estão no nosso dia a dia e, talvez, a gente nem perceba com tanta facilidade.

Apesar de ser um mercado que chega a movimentar bilhões (já que carrega grandes áreas como moda, música e tecnologia), a economia criativa ainda é mais palpável por meio dos pequenos e médios negócios. E aí que eu volto ao título deste post explicando o porquê precisamos falar sobre economia criativa.

É que reconhecendo o potencial da economia criativa, teremos mais condições de valorizar o trabalho dos pequenos, de motivar o empreendedorismo em sua base. Comprar de quem produz.

Lembrar da artesã que comercializa itens de decoração feitos à mão, com identidade própria. Da marca de roupas que produz suas próprias estampas utilizando referências culturais.

Do ilustrador que tem um traço específico. Do profissional que apresenta uma nova proposta de comunicação e outros criativos que só precisam de uma forcinha nossa, todos os dias.

Vamos movimentar essa cadeia criativa?

Crédito da imagem destacada: You Designers.


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