Conheci a série The Paradise de forma inusitada, navegando como quem não queria nada pelo Netflix. E que alegria. A série narra a história vivida pelos personagens na The Paradise, a primeira loja de departamento da Inglaterra e uma adaptação da novela Au Bonheur des Dames, de Emile Zola.

A história se passa na Inglaterra, em 1870, e tem foco em Denise, uma jovem do interior que decide morar com o seu tio em busca de trabalho. Quando chega à cidade, descobre que seu tio não tem condições de empregá-la e vai em busca de emprego num grande empreendimento aberto em frente à loja de seu tio: a The Paradise.

Denise começa a trabalhar como vendedora no departamento feminino e a história vai se desenvolvendo. Só que, mais que uma simples história, a série nos faz refletir sobre o papel e o potencial da mulher em uma época tão conservadora e patriarcal, tratando de temas como emprego, mercado, marketing, relacionamentos profissionais e relacionamentos pessoais.

O personagem de Denise é tão bacana de assistir, e se envolver, porque ela reflete muito do que a gente ainda tenta conquistar hoje em dia. Primeiro, Denise é meiga, sensível e sempre disposta a prestar algum auxílio a quem está por perto. Segundo, ela é criativa, antenada e competente, conseguindo apresentar ideias com facilidade para impulsionar as vendas da The Paradise.

E com esse perfil a personagem vai crescendo dentro da série, sua visão de mundo se amplia e seus anseios profissionais também. Ela não se contenta em ser mais uma vendedora de departamento e o mesmo acontece com seus anseios pessoais quando se apaixona pelo dono da The Paradise, Muray, porque ela não quer ser apenas mais uma mulher de alguém.

Todos os anseios de Denise ficam mais claros depois que conhece Clémence, uma francesa muito além do conservadorismo da época que possui princípios muito bem definidos. Ela tem uma visão reformulada do papel da mulher na sociedade e tenta romper a opressão e os assédios da época para se dar bem nos negócios. Durante poucas aparições, Clémence utiliza sua visão para dar sugestões e conselhos às personagens femininas, mostrando que elas eram tão criativas e fortes quanto os homens, mesmo quando o ambiente social não as favorecia.

Clemente The Paradise
Clémence, o personagem mais prafrentex de The Paradise (Fonte: BBC)

The Paradise nos mostra, de modo leve, que graças aos bons tempos a realidade mudou bastante. Somos cada vez mais independentes e estamos livres para ter sorte no amor, no trabalho ou onde quisermos. Sem citar as diferenças salariais ou os preconceitos pré-históricos que ainda temos que engolir nos dias de hoje, estamos ocupando espaços cada vez mais importantes no mercado e fazendo parte de processos de tomada de decisão cruciais em diversas áreas.

A boa história de The Paradise, que também reúne romantismo, falcatruas e vidas comuns, traz detalhes como os citados acima que nos fazem fantasiar a força da mulher em outros séculos e perceber o quanto nos modernizamos até aqui. Vale a pena reservar um final de semana e separar a pipoca para assistir.

Crédito da imagem destaque: BBC
Categorias:Inspiração

“The Paradise” e o potencial feminino

  1. Gente, não conhecia essa série. Estou voltando a me viciar sabe? Só que tenho que tomar cuidado por conta do blog haha. Achei genial, primeiro porque é Inglaterra, e conseguir ver justamente o que você disse, do papel da mulher em uma época totalmente da de hoje.
    Ainda bem que está no netflix!

    Beijs, Love is Colorful

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